Opalite - Taylor Swift

Opalite (Taylor Swift) e o desafio de manter bons relacionamentos

Oi gente, como vocês estão? Por aqui as aulas começaram e já preciso entregar vários trabalhos. Mas como disse no post anterior, tentarei estar mais presente aqui no blog (prometo). Na última sexta-feira estreou no Spotify o novo clipe de Taylor Swift, Opalite. Vim contar as minhas impressões. Quem já assistiu? o/

Se você me acompanha pelos stories ou lê o blog com frequência sabe que sou fã desde quando Paula Fernandes e Taylor Swift cantaram juntas Long Live (sim, faz bastante tempo). Desde então vi sua participação em CSI, no filme Idas e Vindas do Amor, sua música como tema de Um lugar bem longe daqui (Carolina), considero 1989 um de seus melhores álbuns, e mais recentemente comecei a colecionar seus vinis (o primeiro foi Midnights, amo Labyrint).

Assim como fãs ao redor do mundo inteiro, eu também estava na expectativa para o lançamento do álbum The Life of Showgirl. Apesar de as opiniões se dividirem e muitos dizerem que não foi seu melhor trabalho, ainda assim considero algumas músicas bem marcantes como Eldest Daughter, Ruin the Friendship, e claro Opalite. Essa última uma das minhas favoritas desde outubro. E quando assisti o clipe, entendi o motivo.

O clipe Opalite, de Taylor Swift

No início vemos uma garota (a própria Taylor) que está num ‘relacionamento’ com uma pedra. Ela a leva para o parquinho, mostra os origamis que faz, pulseiras da amizade, experimentando uma roupa nova, cantando num karaokê, praticando exercícios, até comemorando pequenas vitórias num ‘high five’. Mas a pedra não demonstra qualquer ‘emoção’.

Num segundo momento vemos um rapaz (Domhnall Gleeson) que também está num relacionamento, porém com um cacto. Em várias ocasiões como desejar boa noite, sair para jogar sinuca, levar para um jantar romântico, ou até mesmo num beijo embaixo de um visgo ele é machucado.

Se por um lado a pedra não demonstra qualquer sentimento, por outro, o cacto machuca nas situações mais simples do dia a dia.

Ambos veem na TV a propaganda de um spray que pode resolver todos os problemas, eles compram. Enquanto o rapaz espirra no cacto, a garota espirra nela mesma (guardem essa informação!).

Em seguida o cacto desaparece, enquanto a garota surge na sala do rapaz e ele a leva para o banheiro e lhe dá banho para tirar aquela ‘sujeira’. Em outra cena ela pergunta se ele gosta de jogos/origamis e responde que sim.

No próximo take eles estão num estúdio fotográfico, é nesse momento que percebemos o quanto o casal é ‘esquisito’. Quando vão ao shopping é a primeira vez que eles tentam dar as mãos, é perceptível o quanto o rapaz tem receio de ser machucado devido às experiências anteriores. Porém a mão dela é macia e eles sorriem.

O clipe finaliza com eles participando de um show de talentos e sendo desclassificados, mesmo assim, eles não se importam porque estão se divertindo e torcendo muito um pelo outro.

A solidão dentro de um relacionamento

Há quem diga que um relacionamento duradouro é resultado da junção de dois semelhantes porque um compreenderá o outro. Por outro lado, há quem acredite que pessoas diferentes tendem a somar e enriquecer a relação. Vivi um pouco dos dois nos meus relacionamentos e digo que é bem mais difícil quando o casal não compartilha dos mesmos gostos e não sente felicidade pelas mesmas coisas. Um gostar de videogame, o outro não. Um gostar de dormir cedo, o outro tarde. Um gostar de esportes, o outro ser mais sedentário. Um ser saudável, o outro gostar de fast food.

Tive um relacionamento no passado onde éramos bem companheiros, gostávamos quase das mesmas coisas e ele me incentivava bastante em tudo o que eu fazia. Às vezes ele se mostrava até mais ‘empolgado’ do que eu. Chegava o final de semana e tínhamos milhares de lugares para ir, assuntos para conversar, e amigos para visitar. Foi um período bem agitado, no bom sentido, e algumas vezes me vejo relembrando e querendo reviver alguns daqueles momentos.

Em outro relacionamento, no entanto, éramos MUITO diferentes. Não tínhamos quase nada em comum. No início é interessante porque você aprende coisas novas, vê a vida por outro prisma e crê que pode dar certo. Mas com o passar do tempo essas diferenças ficam mais evidentes e começam a influenciar na relação.

É um lugar que o outro não gosta de frequentar, um hobby que precisa fazer sozinha ou arrumar outra pessoa para fazer junto, até características da sua personalidade que não são vistas com ‘bons olhos’. Com o tempo você se sente ‘namorando sozinha’ pois a maioria das coisas que gosta não tem a mesma importância para a outra pessoa.

Você chega com brilho nos olhos para contar algo que a deixou feliz, divide coisas que fazem parte de quem você é, ou até mesmo seus sonhos, e percebe que o outro está focado na própria vida.

Em algum momento da relação o que era um caminho se transforma em dois novamente, e aquelas pessoas que costumavam contar tudo uma pra outra, agora seguem como dois estranhos. Sem lembrar mais o que causa frio na barriga, o que dá medo ou inseguranças, quais são os próximos sonhos, do que gosta ou deixou de gostar, o que faz nascer o brilho no olhar, ou ainda o que espera da vida.

Os mais corajosos quando percebem essa situação logo terminam, mas há também aqueles que continuam amando e têm esperança de que num certo momento tudo volte ao normal. Ou se houver um pequeno esforço de ambas as partes o relacionamento poderá voltar ao que era antes. Acredito que isso seja possível se houver intenção dos dois, porém, o que acontece costuma ser o contrário, apenas um dos lados contribui pra isso e a tentativa enfraquece.

O problema é ser intensa, sonhadora ou feliz?

É curioso que na maioria das vezes pensamos que nós somos o ‘problema’. Talvez por ser intensa demais, por sonhar com os pés fora do chão, por ver a vida colorida, e até desejar viver uma daquelas histórias de amor como vemos nos filmes. Um casal apaixonado caminhando de mãos dadas e sorrindo pelo Central Park no outono enquanto as folhas transformam o caminho num lindo tapete.

Pensando nisso você começa a se moldar, para de frequentar lugares que gostava, de fazer coisas que te deixavam feliz, muda seus planos para estar de acordo, e num determinado momento, você simplesmente esquece quem costumava ser. Todo aquele brilho que você tinha deu lugar a uma vida monótona, sem graça e sem perspectivas. Apenas vivendo um dia após o outro, como se a vida se resumisse a isso. E se pergunta quando você se tornou complicada ou difícil de amar.

Taylor Swift, em Opalite, mostra exatamente isso quando tenta usar o spray em si mesma. Ela acredita que o relacionamento pode ser melhor se ela mudar, se ela se moldar para caber nas expectativas do outro, e que é questão de tempo ser vista e amada. No entanto, por mais que ela se esforce, o outro não demonstra o mesmo interesse.

Vivendo relacionamentos que machucam

Se para alguns a solidão está presente mesmo ao lado de alguém, para outros é mais doloroso viver numa relação em que tudo machuca. Desde as pequenas coisas do dia a dia até planos para o futuro se tornam motivos para brigas e discussões.

Tive um relacionamento que durou pouco menos de um ano que me desgastou muito emocionalmente e psicologicamente. Quase tudo entre nós era motivo de discussão, isso porque ele usava coisas que me magoavam contra mim. Quando percebia que eu não gostava de uma certa pessoa, aí é que ele conversava e mantinha amizade.

Ele achava os meus amigos estranhos, me deixava em segundo plano, e algumas vezes flertava com as minhas amigas. Foi um período bem conturbado, mesmo assim insisti em fazer dar certo porque gostava muito dele. Mas cada vez voltava pra casa chorando porque ele não me oferecia segurança emocional.

Hoje me questiono por que demorei tanto tempo para perceber que aquilo não daria certo. Mas entendo que a minha linguagem do amor talvez seja essa mostrar os meus sentimentos em situações que outras pessoas iriam embora sem pensar duas vezes. Desistir das coisas nunca fez parte da minha personalidade tanto na área profissional quanto pessoal. Meus avós foram casados a vida inteira e se davam bem, e isso me mostrou que é possível dar certo.

Enquanto a garota acredita que o problema é ela, o rapaz sabe que ele é constantemente machucado pelo cacto e decide abrir mão. Há uma outra camada nessa cena, as mulheres são conhecidas por serem românticas, por desejarem viver um grande amor, e tentar por mais que estejam sofrendo. Enquanto os homens são mais práticos e terminam no primeiro obstáculo. Para eles o problema é sempre o outro, que não compreende, que não mostra apoio, ou que não dá espaço e o deixa respirar.

A mulher tem essa necessidade de constância, de proximidade, de segurança para sentir-se amada. Enquanto o homem tem uma segurança e autoconfiança que o faz permanecer distante e mesmo assim sentir-se amado.

Há ainda outra perspectiva aquelas pessoas que foram muito machucadas e quando estão num novo relacionamento não conseguem baixar a guarda ou ser vulnerável e sempre veem o outro como ameaça. Então decidem ferir antes. Vivem em estado de alerta, esperando ser decepcionado, deixado de lado, ou o outro ir embora sem olhar para trás.

Encontrando alguém que aceite suas esquisitices

Quando o rapaz encontra a moça em sua sala ele a leva para tomar banho. O que representa atenção, cuidado e dedicação de tempo. Pela primeira vez depois de muito tempo é ela quem será cuidada. No início ambos estão inseguros, mas quando ela mostra um joguinho de origami ele abre um sorriso e diz gostar. Esse é um daqueles momentos mágicos em que conhecemos alguém e essa pessoa realmente está disposta a saber tudo sobre nós. Mesmo que sejam coisas pequenas e bobas. Há um interesse genuíno nessa aproximação. Encontrar alguém com quem possamos nos abrir, nos mostrar, sem receio de sermos julgados.

Eles passeiam pelo shopping, comem pretzels, e ficam de mãos dadas sem um machucar o outro. É o maior simbolismo de quando encontramos a pessoa certa com quem dividir o que somos. Sem defesa ou contra-ataque, apenas sendo vulnerável. Ambos embarcam num show de calouros o que mostra que eles podem ser esquisitos juntos e mesmo assim se divertirem. Representa tudo aquilo que nos torna quem somos, que talvez o mundo não entendesse, mas aquela pessoa, aquela única pessoa sabe exatamente o que somos e sentimos.

Quem já quis ficar numa fila para pegar um autógrafo, perder a voz num show, ou viajar sem destino, sabe o quanto é importante ter alguém do lado que aceite essas loucuras.

Lembro que alguns atores da Globo foram na minha cidade para um jogo beneficente, meu ex-namorado não queria ir, mesmo assim me levou. Ele reclamou o tempo inteiro que estava calor, que a camiseta pingava de suor, que não tinha sombra, o tempo todo fiquei dividida entre assistir o jogo e ouvir as reclamações dele. Ainda guardo uma foto dele de mau humor porque tentei fazer uma gracinha pra ele sorrir e não deu muito certo. No final não aproveitei o jogo, ele ficou estressado, e ninguém curtiu o final de semana =/

Acredito que precisamos encontrar na vida pessoas com o mesmo brilho nos olhos que nós. Que saiba a riqueza de um nascer do sol, que goste de ouvir o barulhinho da chuva no telhado, que fique em silêncio enquanto ouve os pássaros pela manhã, que veja beleza num raio de sol que atravessa as cortinas, que pare na calçada enquanto o vento varre as folhas para longe, que feche os olhos e sinta o sol esquentar as bochechas, e a brisa balançar os cabelos no outono.

Alguém que não tenha receio de ser criança outra vez e sentar no chão, de ficar descalço na grama, ou sair correndo quando começar a chover e abrir os braços sentindo aquela água geladinha no rosto. Que divida os mesmos hobbies, saiba o que é importante pra você, e te incentive mesmo quando o desânimo chegar. Que olhe pra você e enxergue além. E que mais do que um companheiro, seja um lar, pra onde você possa voltar após um dia longo e exaustivo.

Às vezes somos machucados, outras vezes nos sentimos sozinhos, mas é importante encontrar aquela pessoa que esteja disposta a viver intensamente ao nosso lado. Opalite mostra isso de maneira simples e descontraída.

Poderia continuar falando sobre esse clipe até a próxima semana, mas acredito que perceberam o quanto gostei. E vocês, já assistiram o clipe de Opalite? Concordam que foi essa mensagem que ela quis transmitir ou têm outra ideia?

Até o próximo post, Érika ♡


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