Sob a Luz da Lua

Sob a Luz da Lua – um Mangá sobre Amar Além das Aparências

Oi gente, como vocês estão? Aqui em Santa Catarina tem feito bastante frio (muito mesmo), essa semana chegou a 6° graus, confesso que desaprendi a sentir tanto frio (risos). Quase não consigo ficar sem agasalho. Apesar do frio os dias têm sido bem bonitos, o anoitecer com seus tons de rosa e azul deixa o céu cada hora de um jeito diferente.

Às vezes gosto de ficar em silêncio prestando atenção em como as nuvens se movimentam, em outras fico observando os pássaros voltando para suas árvores, e o canto que vai diminuindo conforme o céu escurece. Ontem a lua estava num tom de amarelo tão lindo que a noite parecia completamente escura. São instantes como esse que deixam o nosso coração quentinho.

Além do frio chegou por aqui uma caixinha cheia de mangás da Editora JBC. Quem leu o post anterior indicando o mangá Medalist, de Tsurumaikada? Recebi também Sob a luz da lua, de Mika Yamamori. O primeiro livro nos apresenta Yoi Takiguchi (conhecida como “Príncipe”), e Kohaku Ichimura (também conhecido como “Príncipe”). Ele é veterano, ela uma pessoa meio esquisita, porém parece ser mais popular do que ele. Será que eles dois têm algo em comum?

A história

Yoi é uma garota muito educada, prestativa, está sempre disposta a ajudar os amigos, e todas as meninas suspiram quando estão perto dela. Motivo? Ela tem a aparência um tanto peculiar e muitos acreditam que é um rapaz. Ainda mais depois que ela socorreu uma aluna no último evento da escola carregando a menina no colo e correndo até a linha de chegada! É por agir assim que todos a chamam de “Príncipe”. Ela é muito certinha, outra de suas qualidades.

“Um corpo esguio e esbelto…
… uma voz levemente grave…
… e um rosto masculino herdado dos pais.”

Ichimura, por outro lado, também é popular. No entanto, a sua popularidade é pelo dinheiro da sua família. Seu avô, presidente de uma grande empresa, é muito rico, então as pessoas se aproximam dele na maioria das vezes por interesse. Ele é simpático, tem um sorriso lindo e todas as meninas gostariam de sair com ele. É chamado de “Príncipe” por causa da sua beleza. Ele é meio rebelde, diferente de Yoi.

Num dia fazendo brincadeiras pelos corredores da escola Ichimura esbarra em Yoi e fica encantado com sua beleza. Quando ele toca seu rosto de forma inesperada, a menina fica sem ação. Porém ao conversarem, pelo tom de voz da menina, o veterano acredita ser um rapaz e logo se afasta. Mas aquela imagem não sai da sua mente. Logo ele descobre que a pessoa que todos os alunos chamam de “Príncipe” é na verdade uma garota! Será que é amor à primeira vista?

Minhas impressões sobre ‘Sob a Luz da Lua’

Acredito que qualquer elogio seja pouco para descrever esse mangá. O que senti durante a leitura de Sob a Luz da Lua foi algo tão bom, uma sensação tão gostosa. Confesso que quis reler cada página e vivenciar mais uma vez os momentos engraçados, de descoberta, os diálogos, e toda a construção de amizade entre Yoi e Ichimura.

É interessante perceber como julgamos rápido alguém pela aparência, hábitos ou simplesmente pelo que a pessoa mostra num primeiro contato. E conforme diminuímos as barreiras e damos ao outro a chance de se aproximar de nós, muitas vezes descobrimos o quanto estávamos equivocados. É mais ou menos assim que acompanhamos os primeiros sinais dessa amizade.

Enquanto Yoi é meio tímida e reservada, Ichimura é falante, curioso e cheio de perguntas. Ele demonstra interesse por cada detalhe da vida da garota. Tive a impressão de que seu sorriso encantador abre portas. Engraçado como consegui me identificar um pouco com cada um dos personagens. Um misto de timidez e simpatia com um pouco de curiosidade e vontade de fazer novas amizades.

“Como posso dizer, a Yoi é como…
… o mocinho ideal de um mangá shojo, sabe?”

Uma característica bem marcante é o ritmo com que os dois vão se aproximando e se descobrindo. Yoi já fez karatê. Ichimura parece sempre alegre. Ela trabalha no restaurante dos pais. O avô de Ichimura é rico, e ele tem receio de que as pessoas sejam tão legais por esse motivo (o que lhe causa um certo desconforto).

Entre risadas, banhos de chuva, e momentos de vulnerabilidade vai surgindo uma amizade cheia de cumplicidade, brilho nos olhos e uma vontade cada vez maior de estarem juntos.

Sabe aquela sensação de quando estávamos no colégio e sentíamos um friozinho na barriga por estarmos apaixonados? Ou quando aquela pessoa especial passava perto de nós no intervalo? Ou ainda quando na hora da saída os olhares se cruzavam por um segundo? Sob a luz da lua traz à tona todos esses sentimentos, como se fôssemos adolescentes outra vez.

Quando eu era adolescente aconteceram duas situações que guardo com carinho. Uma vez saí para o intervalo e quando voltei tinha um bilhetinho no meio do meu caderno. Lembro até hoje a alegria que senti ao abrir aquele papelzinho. Alguém gostava de mim e tinha sido corajoso suficiente para me escrever ♡

“Não é…
…como se eu agisse como um príncipe de propósito.
Só estava…
… sendo eu mesma.”

Numa outra vez (eu era apaixonada pelo meu vizinho) e conversávamos todos os dias. Eu o via andar de bicicleta, sentar na calçada, abrir a janela do quarto e ouvir suas músicas… e numa de nossas conversas descobrimos que tínhamos gostos em comum como Madonna, Roxette, e algumas bandas dos anos 80. E um dia fui surpreendida, ele gravou uma fita k7 pra mim. Foi um dos momentos mais fofinhos que vivi. Esse livro me trouxe novamente esse sentimento.

O humor de Ichimura é contagiante! Ele é leve, divertido, e doce. O jeito que ele flerta nos faz sorrir, parece alguém que conhecemos a vida inteira. Nos faz sentir à vontade. Você já teve essa impressão ou se sentiu assim?

Algumas reflexões

Além de a história deixar um quentinho no coração após a última página, a autora trouxe ainda pequenas reflexões. Uma delas é sobre as razões para ser como somos. É comum que as pessoas tentem ser diferentes para agradar ou fazer parte de um determinado grupo, ainda mais nos dias de hoje que muitos vivem de aparência.

Yoi, com seu jeito peculiar, mostra o quanto é transformador nos abrir e dar uma chance para que as pessoas nos conheçam de verdade. À distância criam uma ideia sobre nós, mas somente a presença, o dividir, e o tempo são capazes de tornar alguém especial em nossas vidas.

“Me pergunto por que…
… essa sensação de felicidade em ser aceita por alguém…
… deixa meu coração tão inquieto.”

De um jeitinho envolvente a autora conseguiu me transportar para a época do colégio, das amizades, dos primeiros amores, daquela sensação que é tão comum quando alguém é destemido o suficiente para atravessar a ponte e descobrir um pouco sobre nós dia após dia.

Uma das cenas mais bonitinhas é quando Ichimura vai ao restaurante dos pais de Yoi e enquanto está comendo aproveita cada momento para apreciar o jantar (como se fosse o mais gostoso que já experimentou). Isso diz muito sobre prestar atenção, sobre estar atento à coisas simples, e perceber a importância de se abrir ao novo.

Poderia falar um dia inteiro sobre o quanto amei Sob a Luz da Lua, mas vou deixar para escrever um pouco mais depois de ler o segundo livro (em breve aqui no blog). Espero que tenham gostado e se interessem pela história.

Até o próximo post, Érika ♡


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