Medalist: Uma Linda História Sobre Sonhos, Amizade e Superação
Oi gente, como vocês estão? O inverno recém começou e aqui em Santa Catarina já está bem friozinho. Momento de usar moletom, tomar um chazinho quente e ficar debaixo das cobertas. Para combinar com esse clima nada melhor do que um mangá não é mesmo? Semana passada recebi Medalist, de Tsurumaikada, em comemoração a estréia do anime no Disney+.
Quem acompanha o blog desde 2024 lembra o quanto me apaixonei por Blue Box e continua sendo um dos meus mangás favoritos. Então em abril quando assisti o trailer de Medalist fiquei curiosa para saber mais sobre a história. A escrita é tão envolvente, leve e dinâmica que me fez terminar a leitura no mesmo final de semana.



A história
Gosto muito de pessoas que inspiram de alguma forma e com Inori foi exatamente assim, me lembrou um pouco a personagem Elsa do livro Minha avó pede desculpas. Ela é uma garotinha de apenas 11 anos que sonha em patinar no gelo, porém sua mãe acredita que essa escolha é bem mais impactante do que apenas deixar a filha ter uma infância comum igual a outras crianças da mesma idade.
No entanto, o que a mãe de Inori não sabia é que a menina frequentava o rinque de patinação escondida desde os 7 anos e aprendeu vários movimentos observando as outras crianças. A menina não tinha dinheiro para alugar o espaço, então o responsável propôs um acordo. Se ela trouxesse minhocas para os passarinhos que ele tem em casa, Inori poderia patinar. E assim foi até completar 11 anos quando conhece Tsukasa.
Num dia arrumando suas coisas para ir embora Inori leva um susto ao ser questionada se está patinando sozinha ou com sua mãe. O rapaz alto e assustador acredita que ela entrou sem pagar. Então a menina sai correndo e Tsukasa a persegue por várias quadras até perder o fôlego. Ele fica impressionado com o quanto aquela garotinha corre, porém, quando ele se aproxima ela se desequilibra da escada e cai em cima dele.
Assustada pelo homem desconhecido ter desmaiado ela começa a chorar e derrama chá gelado em seu rosto na esperança de acordá-lo. Quando Tsukasa volta a si, tenta tranquilizá-la e diz estar tudo bem. Assim os dois dão início a uma longa conversa sobre minhocas, patinação no gelo, e o desejo de tornar um sonho realidade.
As crianças que gostam de patinar e querem participar de competições começam a treinar desde os cinco anos. Tsukasa, no entanto, começou bem mais tarde. Sua família não tinha dinheiro para investir nas viagens, hospedagem e todas as despesas necessárias para manter o treinamento. Então ele precisou trabalhar em troca de casa e comida. O tempo passou e apareceram outros atletas melhores do que ele, com isso veio o desânimo e ele passou a acreditar que não teria mais chance de ser aprovado num campeonato de patinação artística. E assim ele volta para sua cidade, Yokohama, em busca de um emprego onde possa continuar patinando mesmo sem participar de grandes eventos.
Para sua surpresa Inori se mostra uma aluna muito dedicada por aprender rápido e isso reacende a sua motivação. Em menos de um mês ela consegue fazer um teste e ganhar o pingente de nível 1, o que convence sua mãe a deixá-la continuar treinando. Agora ela precisa treinar ainda mais para alcançar o próximo nível. Será que em tão pouco tempo ela conseguirá vencer os seus medos e se mostrar merecedora de uma medalha de ouro?
E assim termina Medalist volume 1 (sem mais spoilers).

Minhas impressões
O que mais gosto na cultura japonesa é a maneira como eles criam histórias simples e tão profundas ao mesmo tempo. Medalist cativa o leitor por tudo que traz nas entrelinhas. O autor aborda temas que facilmente conversaríamos por horas. Talvez esse tenha sido um dos motivos que esse mangá me conquistou de um jeito todo especial.
Tsukasa tinha o sonho de ser reconhecido pelo seu talento, porém o tempo passou e seus planos foram ficando cada vez mais distantes. Talvez porque ele não fosse bom o suficiente ou porque havia outros atletas melhores do que ele. Mesmo patinando em dupla e fazendo uma linda apresentação, ele nunca era aprovado. E isso, de alguma maneira, o fez se sentir desmotivado.
É comum jovens/adultos terem essa sensação, de que se esforçaram, fizeram o que estava ao seu alcance e mesmo assim não conseguiram chegar onde tinham planejado. Os dias vão passando e esse sentimento de fracasso parece um elefante branco na sala. É interessante perceber como mudar de cidade, de emprego, ou conhecer pessoas diferentes pode trazer de volta todo o brilho que tinha sido esquecido.
Inori é como uma estrelinha brilhante que traz esperança a Tsukasa. Ele vê novos desafios, possibilidades, e se sente preparado para se dedicar e dar o seu melhor.
Sobre abrir mão dos nossos sonhos
Um dos temas abordados pelo autor é sobre aquele momento em que deixamos um sonho para trás. Seja pela falta de talento, dinheiro, ou apoio da própria família. Cada etapa da vida traz consigo sonhos e expectativas, no entanto, pelos mais diversos motivos é preciso abrir mão e trilhar um caminho diferente. Às vezes por escolha própria, outras pela mão do destino, outras ainda porque não somos mais os mesmos.
Quanto custa abrir mão de um sonho? Uma vez li num artigo que quem dá um passo por dia chega muito mais longe do que aquele que sequer calçou o tênis. É um jeito otimista de pensar que mesmo não tendo grandes conquistas, mas alcançando algumas pequenas é bem melhor do que viver uma vida inteira carregando um “e se”.

A necessidade de nos comparar
Quando eu era criança/adolescente, lembro dos meus pais (algumas vezes) me comparando com outras crianças. Por elas serem mais quietas, comportadas, talentosas, e isso sempre mexeu com a minha autoestima de um jeito que não sei explicar exatamente. Ao mesmo tempo que queria fazer parte de um certo grupo, sentia orgulho por ser diferente e não fazer as coisas igual todo mundo. E isso sim fazia com que eu me sentisse bem.
Inori não ter iniciado o treinamento como as outras crianças faz com que os pais comentem que ela não precisa da atenção do instrutor porque ela não conseguirá se destacar. Eles consideram os próprios filhos mais talentosos do que aquela menina desajeitada. Os comentários maldosos a entristecem por um momento, mas logo ela olha para si mesma e se sente capaz novamente. Seu sonho é bem maior do que a opinião daquelas pessoas que não a conhecem de verdade.

A importância do apoio dos pais
Na minha família para algumas situações há duas “maneiras de pensar”, enquanto minha mãe tem um certo frio na barriga em se arriscar, meu padrasto é a favor de aproveitar todas as oportunidades. Talvez tenha sido esse pensamento que nos fez mudar de cidade tantas vezes. Foi também esse conselho que segui quando recebi uma promoção do trabalho e não tinha certeza se deveria aceitar. Spoiler: aceitei e foi uma das melhores experiências que já vivi.
Quando quis mudar do interior para uma cidade grande sozinha confesso que não pensei nas consequências, simplesmente queria viver aquela adrenalina, frio na barriga e todas as descobertas de morar sozinha, fazer novas amizades e ser dona das minhas escolhas. Apesar dos muitos desafios, em nenhum momento quis desistir ou voltar atrás. O brilho nos olhos sempre me manteve no caminho que escolhi.
Outro momento desafiador foi quando decidi estudar num convento e me tornar freira. Meus pais novamente me apoiaram (apesar da minha avó dizer que era loucura #risos). Foi outra etapa da minha vida que aprendi muito e agradeço por eles terem acreditado em mim. Mesmo um tempo depois percebendo que não era meu propósito e desistindo, me fez evoluir muito como pessoa.
Independente da minha decisão, meus pais me ouviam e apoiavam. Acredito que poder contar com esse apoio traz segurança, nos faz sentir mais fortes e confiantes para seguir em frente em busca dos nossos objetivos. Lembro de uma vez minha mãe dizer “se não der certo, pode voltar”. Hoje isso ainda me emociona. Ver um certo orgulho nos olhos de sua mãe foi um grande incentivo para Inori.


A influência do julgamento das pessoas
Ter começado o treinamento mais tarde e praticamente sozinha faz com que os pais das outras crianças julguem a atenção que Inori recebe dos instrutores. Eles acreditam que ela não domina a técnica ou não tem a menor chance dela participar do campeonato estadual. No entanto, quando entra no rinque algo muda ela simplesmente brilha e mostra todo o seu talento.
Essa parte da história me fez refletir sobre quantas vezes não confiamos no nosso potencial ou não temos coragem de arriscar com medo do que vão falar ou pensar de nós. Por mais que sejamos julgados, só temos uma vida e é preciso fazer valer a pena!
Medalist de uma forma bonita nos faz questionar “sonhos têm idade”? O que fazemos com medos e inseguranças quando surgirem no meio do caminho? Talvez seja meio clichê, mas acredito que o nosso super poder é sermos únicos. Ninguém no mundo reúne as mesmas características, as mesmas ideias, e o jeito de ver a vida como nós e isso nos torna especiais.
É sobre valorizar as pessoas que nos apoiam, incentivam e acreditam no nosso talento. Sobre ter determinação, otimismo e acreditar que a maior força está dentro de nós mesmos. Ela vem do desejo de alcançar os próprios objetivos e realizar os nossos sonhos.
Espero que tenham gostado de conhecer um pouquinho a Inori e seu caminho na busca de uma medalha de ouro. O anime está disponível no Disney+ vocês podem assistir no final de semana e depois voltem para me contar o que acharam.
Nos vemos em breve, um abraço 🙂
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