Anuí
12 de janeiro de 2022

Oi gente, como vocês estão? Como comentei nos posts anteriores esse ano as leituras estão fluindo. Um dos livros de 2022 foi Anuí, de Lelis, enviado em parceria com a Editora SESI-SP.

Assim como A Rainha do Norte é um livro ilustrado porém o autor utiliza a técnica de desenho em aquarela. No final do livro tem algumas fotos de seu acervo e vários tubinhos de tinta. Senti uma certa nostalgia porque me fez recordar quando estava na quinta série e tinha aula de Educação Artística.

Nunca fui muito boa em desenho. Minha inclinição sempre foi para os estudos. Gostava de ler, escrever, transformar pensamentos em palavras… tenho facilidade com as letras. Meu pai tem porte atlético e é professor, já minha mãe ama artes e literatura. Creio que herdei um pouquinho de cada.

Num aniversário que não lembro exatamente qual ganhei de presente uma caixinha de música. Diferente daquelas que aparecem nos filmes que tem uma bailarina a minha tinha dois patinhos (ou cisnes não sei ao certo). Além da música, o que mais gostava é que tinha um compartimento secreto. Me sentia tão importante guardando minhas “jóias” ali. Quando saí de casa acabei esquecendo de levar.

Alguns anos depois quando meus pais se mudaram me devolveram. Está meio quebrada, não toca mais, mas ainda guardo com carinho. As vezes tenho vontade de comprar aquela com bailarina que sempre sonhei. Amo assistir apresentações de balé. Minhas irmãs, quando crianças, faziam aula de dança e eu achava o máximo assistir os espetáculos.

Alice e sua caixinha de música

Mas por que contei tudo isso? Porque Anuí tem tudo a ver com essa história. Alice é uma garotinha que todas as noites dorme ao som de sua caixinha de música. Porém um dia a caixinha para de funcionar. Ela passa a noite inteira chorando e não consegue dormir. Sua mãe tenta acalmá-la mas é inútil.

Os vizinhos ouvem o choro da menina e questionam sua mãe. Ela explica que a filha não dorme a vários dias por causa da música. Um amigo de Alice tenta arrumar a caixinha mas não consegue. Tia Terezinha tenta conversar mas ela está muito triste. A mãe de Alice recebe diversos conselhos.

Então sua irmã tem uma ideia. Levar a caixinha para Jurandir Jeitoso, um senhor que consertava a máquina de costura de sua mãe quando eram pequenas. Sem outra alternativa Alice aceita e lá vão as duas levar a caixinha para o homem assustador. Mas será que ele conseguirá o que mais ninguém conseguiu?

Anuí
O estranho Jurandir Jeitoso

Alice fica contente ao descobrir que enfim terá sua caixinha de volta. Porém, sua mãe diz coisas esquisitas sobre o sr. Jurandir.

“Dos olhos dele saem labaredas de fogo! E no lugar da língua, ele tem uma faca afiada, Alice!”

Alice pensa que a mãe está exagerando, no entanto, quando chegam à oficina ela percebe que aquele senhor é ainda mais estranho e assustador. Em meio a penumbra surge um homem mal encarado, de cabelos escorridos e bigode cinza lagartoso. Elas deixam a caixinha ali com a promessa de buscar no dia seguinte. Será que ele conseguirá o impossível? Alice não sabe se fica mais preocupada com o conserto da caixinha ou do sr. Jurandir nunca devolvê-la. Passa a noite acordada pensando nisso.

Minhas impressões

Como disse anteriormente a edição dispensa comentários. A Editora SESI-SP tem um carinho especial por seus livros e sempre presenteia os leitores com obras sem igual. Um dos meus livros favoritos é Sunny uma HQ que fala sobre superação, família e relacionamentos.

Com Anuí a experiência não foi diferente. A cada página percebemos o cuidado da editora em entregar um trabalho artístico que nos encanta. As cenas que mais me chamaram atenção é quando mostra a personalidade do sr. Jurandir. Nem os cachorros da rua gostam dele (risos).

“Realmente, gentileza não era uma característica do velho Jurandir. De trato difícil, era disparado a alma mais impopular da cidade.”

O desfecho é de uma sensibilidade sem tamanho. E traz consigo uma reflexão acerca de relacionamentos, mais especificamente entre pais e filhos. Por que as vezes é tão difícil evitar discussões, mágoas ou ressentimentos? É possível manter uma relação saudável mesmo sendo tão diferentes?

Lembro que quando era adolescente brigava muito com meu padrasto. Na verdade ele implicava com tantas coisas… roupa que eu vestia, música que ouvia, com quem andava, foi um período bem difícil. Cresci sem ter contato com meu pai então não tenho ideia se ele agiria da mesma forma. Mas acredito que isso influenciou quem sou hoje. Não tenho filhos então é estranho pensar se eu faria as mesmas coisas.

Outro ponto que merece destaque é a ambientação. É possível perceber que a história acontece no sertão. Isso fica evidente pelas ruas, casas, figurino, e diálogos dos personagens. As ilustrações têm papel fundamental em como percebemos a cultura dessa região durante a leitura. O personagem mais caricato pra mim foi sem dúvida o sr. Jurandir. Todos nós já conhecemos alguém como ele concorda?

Informações sobre Anuí

Título: Anuí
Autora: Marcelo Lelis
Editora: SESI-SP
Ano: 2018
Páginas: 64
Classificação: ★★★★
Disponível na Amazon

Bom, essa foi a minha experiência lendo Anuí. Já conheciam o livro ou a Editora SESI-SP? Gosta de livros ilustrados? Antes de ir deixe seu comentário 🙂

Até a próxima, Érika ♡

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Post escrito por Erika Monteiro

Descobri desde cedo quão incrível é o universo dos filmes, séries, livros e todo esse mundinho geek. Criei esse espaço para compartilhar experiências e trocar ideias.

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  1. Lady Sybylla

    15 de janeiro de 2022

    Esse deve ser um dos quadrinhos mais bonitos que já li. Uma sensibilidade sem igual!