Cidade de Estrelas Caídas e Ira

Cidade de Estrelas Caídas e Ira: Uma obra para ressignificar a fé e a esperança no apocalipse

Cidade de Estrelas Caídas e Ira é o primeiro livro da série Artefatos da Meia-Noite, escrito por Giovanna Vaccaro e publicado pela Editora Coerência. A obra conta a história de uma garota escolhida por Deus para batalhar em Seu nome durante o apocalipse e encontrar três artefatos escondidos pelo mundo antes que Lúcifer os encontre.

“Sou uma arma forjada pelo próprio Deus e Ele me deu autoridade para lutar contra as trevas. Ele permitiu que eu passasse pelas provações, que chorasse e ficasse de luto, mas também me deu coragem, me deu sabedoria e força para enfrentar o caos, para destruir o mal em Seu nome.”

Sinopse do livro

Desde criança, Zara Meir carrega dentro de si um poder incontrolável que sempre acreditou ser uma maldição. Apesar das dificuldades, faz o possível, dia após dia, para cuidar de Noah, seu irmão mais novo. Tudo muda quando o garoto é arrebatado junto com milhares de outras pessoas.

Acolhida à força por guerreiros chamados zelotes, integrantes de uma base militar criada por Deus, Zara passa a compreender que o apocalipse está em curso e que seu papel nessa batalha é fundamental: reunir os artefatos da meia-noite antes que Lúcifer o faça. Agora, a jovem se vê em meio a treinos brutais e revelações fáceis de entender, mas difíceis de aceitar.

Como se não bastasse, ela ainda precisa lidar com olhares que insistem em encontrá-la — especialmente os de Zion, um tenente que a enxerga como ninguém e parece desafiá-la na mesma medida em que a protege. Para piorar, Gogue e Magogue estão prestes a entrar em colapso, e Zara terá de descobrir não apenas se é uma zelote ou apenas uma sobrevivente, mas também qual é o preço das escolhas que precisa fazer.

A história

O livro nos apresenta Zara Meir, uma jovem órfã marcada por traumas e por um poder que emana de seu corpo — o fogo —, que ela sempre acreditou ser uma maldição. Por ironia — ou talvez não —, Zara trabalha como frentista em um posto de gasolina, um ambiente onde qualquer descuido poderia causar uma grande destruição. Ela sabe disso e teme constantemente perder o controle.

Ao chegar em casa, conhecemos Noah, seu irmão mais novo, por quem Zara nutre profundo carinho, apreço e também culpa, por não conseguir estar tão presente quanto gostaria em sua vida. Para ajudá-la, ela conta com o apoio de Rute, que cuida do garoto enquanto Zara trabalha. Na tentativa de conter o poder que arde dentro de si, a jovem chega a roubar remédios dela.

Sua vida muda drasticamente quando, de forma repentina, o caos se instala nas ruas com o desaparecimento de inúmeras pessoas — especialmente crianças. Elas foram arrebatadas.

Assustada e confusa, Zara sai em busca do irmão em meio ao desespero coletivo. Sem entender o que está acontecendo, ela tenta dar sentido ao desaparecimento repentino das pessoas, especialmente o de Noah. Nesse momento, uma voz clama para que ela se acalme. Zara ainda não sabe, mas aquela voz não é fruto de sua mente, tampouco um sinal de loucura — e sim a presença de alguém destinado a observá-la e protegê-la até que a promessa se cumpra.

Essa pessoa é Zion Moss, um jovem também escolhido por Deus para batalhar em Seu nome. Assim como Zara, ele possui poderes — no caso dele, relacionados às sombras, à espionagem e à capacidade de ler mentes. Zion é tenente dos Zelotes, um batalhão de soldados que possuem selos, ou seja, habilidades distintas que representam as doze casas de Israel.

Em meio ao caos, demônios passam a circular pelas ruas em busca dos artefatos da meia-noite. Quando Zara se depara com um deles, Zion surge para salvá-la, protegê-la, acolhê-la e explicar que ela tem um papel muito maior do que imagina no fim dos tempos. Zara também é uma Zelote, escolhida a dedo por Deus após um “acordo” feito com Lúcifer, que desdenha da fé.

“ E disse Deus para Lúcifer.

– Eis que tudo que Zara tem está em suas mãos. Somente contra ela não estenda sua mão. Você não pode tocar em um único fio de cabelo dela antes que os ponteiros atinjam a meia-noite. – A voz, outrora pesada, vinha acompanhada não apenas de uma advertência, mas de uma visão trazida do próprio Deus do que seria sua eternidade.

[…]

– Não tocarei nela. Mas no que ela mais ama… É por onde vou começar. Então, quando for chegada a hora, lidarei com a menina. Assim veremos se ela realmente valoriza Sua presença ou se é só mais uma criança inútil.

Uma espada de dois gumes saiu de dentro da boca do trono, como se aquela enorme cadeira fosse um leão faminto.

– Ainda assim, aquela que é minha me encontrará.”

Zara não conhecia Deus, não compreendia o que era fé e sempre foi uma pessoa cética, pois nunca teve contato com algo que a aproximasse do mundo celestial. Tudo isso foi intencional: mesmo sendo constantemente provada e atormentada pelo inimigo, ela nunca chegou a desdenhar ou blasfemar contra Deus. Por isso, torna-se peça-chave na salvação e na batalha ao lado dos Zelotes e do próprio Senhor.

Minhas interpretações

Cidade de Estrelas Caídas e Ira é uma fantasia cristã, mas, seja você ateu ou alguém que acredita em Deus sem conhecer profundamente a Bíblia, isso não é um problema porque você aprende junto com Zara ao longo da história.

Sou uma pessoa cristã e acredito que essa é uma obra que pode ser lida por todos, pois apresenta sensibilidade e clareza ao abordar eventos inspirados na Bíblia. A forma como a autora constrói a fé na protagonista — especialmente no momento em que Zara, que até então não acreditava nem em si mesma, quanto mais em Deus, faz sua primeira oração — é capaz de arrepiar e emocionar.

A fé, na minha visão, é algo muito particular. É difícil de explicar ou materializar, porque cada pessoa vivencia de maneira única. Por isso, mesmo que você seja ateu e tenha curiosidade em ler o livro, pode ficar tranquilo: é uma história envolvente, que emociona e faz o leitor se sentir parte dela, independentemente de sua crença.

“ – Deus – começo, sem coragem de fechar os olhos ou juntar as mãos. – Eu não sei como se faz isto. E, para ser honesta, me sinto meio ridícula. Mas… se o Senhor…

Respirar, expirar. Respirar, expirar. O irmão David me garantiu que o sangue dEle me salvou, que eu fui redimida, mas preciso saber por conta própria. Preciso me desculpar. Como Ele, que é tão grande, pôde se importar comigo, que sou tão… errada?
– Não sei o que devo dizer aqui. Hum… Desculpa? Desculpa por ter roubado e me intoxicado com aqueles remédios até quase morrer. E… por ter feito coisa errada. Muitas vezes. Não preciso listar cada coisa, preciso? O Senhor sabe do que estou falando…

[…]

Uma chama em uma pira enorme crepita no vácuo da minha mente quando encaro a escuridão dos meus olhos fechados, então ouço uma voz retumbar como um trovão:
– Eis que estou à porta e bato. Quem tem ouvido, ouça. Encham tuas taças de azeite e orações. […] Esta é minha glória, Zara. – diz a chama, a voz eletriza meu corpo inteiro e perpassa cada terminação dele feito um choque. — E você é minha filha amada.”

É interessante notar que, mesmo a protagonista sendo cética e sem qualquer contato com Deus, Zara sempre esteve cercada por pessoas com nomes de origem bíblica:

  • Zara: pode significar “a que floresce”, “radiante” ou “lembrada por Deus” (relacionado a Sarah, do hebraico).
  • Noah: significa “descanso”, “repouso” ou “longevidade”, sendo uma variação de Noé.
  • Rute: personagem bíblica, bisavó do rei Davi, conhecida por sua fidelidade e virtude ao escolher seguir o Deus de Israel.
  • Zion: nome de origem hebraica que significa “terra prometida”, associado ao Monte Sião, em Jerusalém, e à ideia de um lugar ligado à glória de Deus.

Além deles, outros Zelotes também possuem nomes bíblicos, como Matheus, José, Davi e Zacarias, entre outros.

Escrita da Autora

Acompanho a escrita da autora Giovanna Vaccaro desde o lançamento de seu primeiro livro, Procura-se, publicado em 2016 pela editora Talentos da Literatura Brasileira. Este é seu primeiro trabalho no gênero fantasia e, como leitora, é perceptível o amadurecimento de sua escrita, tanto na construção narrativa quanto na profundidade dos personagens e no desenvolvimento do enredo.

A escrita de Cidade de Estrelas Caídas e Ira é leve e fluida. Giovanna transita bem entre cenas de tensão, batalhas, emoção, humor e romance, além de desenvolver com cuidado o arco de cada personagem. Destaco, especialmente, a forma como ela expressa os pensamentos e sentimentos da protagonista e traduz aquilo que não pode ser visto a olho humano: a fé, o contato e a percepção da presença divina.

É uma obra envolvente, que prende o leitor do início ao fim: ao final de cada capítulo, fica a expectativa e a ansiedade pelo que acontecerá em seguida.

Artefatos da Meia-Noite: Cidade de Estrelas Caídas e Ira
Editora: Coerência
Páginas: 478
Gênero: Ficção brasileira, fantasia cristã, romance.
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

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Até a próxima, Amanda 😁

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