Distância de resgate
8 de novembro de 2021

Oi gente, tudo bem? Quem acompanha o blog pelo Instagram ou pelo TikTok viu que recebemos uma caixinha recheada de livros da Editora Record. Entre eles Distância de resgate que inspirou a adaptação que está disponível no Netflix.

A história

Amanda aluga uma casa no interior para passar as férias com sua filha e seu marido. Porém ele demora a chegar. Nos dias que se seguem Amanda faz amizade com Carla. As duas iniciam uma troca de experiências sobre a maternidade e como suas vidas mudaram ao longo do tempo.

Enquanto Carla é despojada e aberta em compartilhar detalhes de sua vida, Amanda, por outro lado, é mais introspectiva e serve de ouvidos às histórias da mulher recém conhecida.

Carla inicia o diálogo de um jeito misterioso, dizendo que talvez Amanda não deixe Nina (sua filha) brincar com David (seu filho). Percebemos um certo distanciamento entre mãe e filho – Carla e David, mas não entendemos num primeiro momento.

A história volta no tempo e acompanhamos Carla desde que David era bebê. Os negócios da família estavam prosperando, o casal ia ganhar muito dinheiro e reformar a casa. No entanto, quando David fica doente Carla perde o chão e não consegue imaginar a vida sem seu filho.

A mulher da casa verde

Percebendo que não terá tempo de levá-lo ao hospital recorre à mulher da casa verde. No entanto, chegando lá, a curandeira lhe diz que a criança está muito mal e não há o que fazer. A menos que Carla aceite fazer uma transmigração. Carla não entende, mas diz aceitar qualquer coisa desde que seu filho seja salvo.

Esse processo, explica a curandeira, vai dividir o veneno em dois corpos. A alma de David irá embora e outra ocupará seu corpo. Algumas horas depois David sai do quarto andando normalmente como se nada tivesse acontecido. No entanto, Carla não o reconhece mais como seu filho. Com o passar dos anos eles se afastam ainda mais. Não há traços de David naquela criança.

Além disso, a família está à beira da falência. Os cavalos morrem, eles perdem o dinheiro e precisam se desfazer de todos os bens.

É difícil para Amanda assimilar tudo isso e enquanto Carla conta sua história ela se questiona sobre a sanidade daquela mulher.

Conforme a história avança acompanhamos os questionamentos de Amanda em relação a Nina. Se sua filha estivesse em perigo ela conseguiria salvá-la? Quanto tempo precisaria para se aproximar e evitar que algo acontecesse? Segundo ela, essa é a distância de resgate.

Minha opinião

Eu não tenho filhos, mas conheço diversas pessoas, inclusive minha irmã que os têm. É perceptível a intenção de manter a criança segura. Evitar ralar o joelho, quebrar um braço, brigar no colégio, cair de uma árvore, sofrer qualquer mal.

As mães têm uma espécie de sexto sentido que percebem que algo não está certo. A minha, por exemplo, sempre sabia quando uma amizade não era boa. Ou quando um rapaz não era o certo para namorar comigo. As vezes sinto que herdei essa característica dela.

Até onde as mães estarão sempre presentes e evitarão o pior? É certo manter os filhos numa redoma protegendo-os constantemente?

É então que entro num segundo questionamento. Como manter os filhos em segurança e ao mesmo tempo dar autonomia para que sejam responsáveis e caminhem com os próprios pés? Para alguns pais é mais difícil visualizar essa linha que separa cuidado e proteção da autonomia.

Os meus pais são um exemplo disso. Enquanto minha mãe é mais cautelosa e avalia todas as opções e espera para agir ou não, o meu pai é aventureiro. Sempre apostando no desconhecido. Quando fui morar sozinha minha mãe ficou com o coração na mão. Já meu pai via como uma oportunidade de crescer e me tornar independente. Percebem como os dois são diferentes?

Há famílias em que ambos são cautelosos nesse caso é bem mais difícil os filhos voarem sozinhos. Eles crescem num ambiente superprotetor e demoram mais tempo para sair de casa, ter relacionamentos/se casar, além de dificuldades em situações mais simples como aceitar/mudar de emprego, escolher uma faculdade ou fazer amizades.

Distância de resgate x O fio invisível

Quando assisti o trailer do filme a primeira vez senti a atmosfera de um suspense/mistério, mas conforme a história avança percebemos um ambiente claustrofóbico em certos momentos. A autora consegue prender nossa atenção desde o início. Primeiro tentamos descobrir o que é “distância de resgate”. Segundo tentamos desvendar o que acontece entre ela e David.

Samanta Schweblin escreve com maestria. Não conhecia a autora e me vi surpreendida após terminar a leitura. Quando o livro chegou em casa o filme tinha sido lançado no Netflix, então já tinha assistido. O livro como sempre foi mais completo e respondeu alguns questionamentos que ficaram no ar.

Apesar de o filme ter todo aquele apelo visual senti mais tensão durante a leitura. A adaptação ajudou a visualizar cenas como a da curandeira, a migração de corpos, o povoado, as crianças doentes. Então acredito que um complementa o outro.

Após a leitura fica o questionamento “os pais sempre poderão salvar seus filhos“? Ou esse fio que nos conecta é tão frágil que torna a segurança uma ilusão? Você tem filhos? Qual sua opinião sobre o tema?

Tem curiosidade em saber mais sobre essa história? O filme está disponível no Netflix com o nome O fio invisível. Já assistiu ou viu o trailer? O livro está disponível na Amazon! Antes de ir deixe seu comentário 🙂

Leia também: Canção de ninar, Leïla Slimani

Até o próximo post, Érika ♡

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Post escrito por Erika Monteiro

Descobri desde cedo quão incrível é o universo dos filmes, séries, livros e todo esse mundinho geek. Criei esse espaço para compartilhar experiências e trocar ideias.

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  1. Lucy

    24 de janeiro de 2022

    Nossa, uma história realmente interessante! É mesmo verdade que as mães são mais cautelosas, se minha mãe pudesse, deixava a gente dentro de uma bolha. rsrs
    Não sabia que tinha um filme desse livro, vou procurar na Netflix, tenho gostado das adaptações de lá, mas antes eu pretendo ler o livro!
    Bjos.
    Lucy

  2. CRIS

    24 de janeiro de 2022

    Oi Érika!
    Não conhecia esse livro, nem a autora. Tenho apenas uma filha, mas sou a favor de ela trilhar seu próprio caminho, quebrar a cara se for preciso, mas aprender com seus erros pois só assim crescemos, mas sou sincera em ficar dando respaldo a tudo que precisa, principalmente carinho, amor e atenção. Gostei muito de sua resenha fiquei curiosa em saber o que acontece na trama e como ela irá terminar. não consigo imaginar o que faria para salvar a vida da minha filha numa situação dessas, não gosto nem de pensar kkk. Parabéns pela resenha, obrigado pela dica

  3. Delmara Silva

    20 de janeiro de 2022

    Olá Erika,
    eu tenho dois filhos pequenos e sou hiper, mega protetora. Mas diferente da forma que fui criada, acredito que dar autonomia aos meus filhos seja a melhor forma de protegê-los, torná-los crianças e futuramente adultos menos dependentes será fundamental para que eles possam ter uma vida livre e feliz. Quero ser capaz de ensiná-los a caminhar com as próprias pernas, fazer as próprias escolhas, ter os próprios pensamentos e questionamentos. Tenho pavor de imaginá-los sofrendo com dependência financeira e/ou emocional. Sonho com meus filhos, saudáveis, fortes, livres e felizes. Quanto ao drama vivido por Carla, não sou capaz de julgá-la, sendo eu mãe, também iria até o fim do mundo para salvar meus filhos, contudo, é notável que ela não conseguiu de fato salvar a criança, né? Ao que me parece ela acabou perdendo-o de vez, em que mundo esse menino cuja alma foi embora continua sendo o filho dela? Eu ainda não tinha visto nada sobre este filme, mas vou procurar assisti-lo com toda a certeza. E respondendo seu último questionamento, eu acredito que os pais sempre tentarão salvar seus filhos, mas nem sempre obterão êxito nessa missão. Cheguei a essa conclusão depois de sofrer muito com crises de ansiedade desencadeada pelo medo de algo ruim acontecer com meus filhos.

  4. Pollyanna Campos

    19 de janeiro de 2022

    Olá, tudo bom?
    Nunca tinha ouvido falar no livro ou na adaptação da Netflix e seu post me fez querer conferir os dois. Adoro livros que abordam questões familiares! Também não tenho filhos, mas acho que vai ser bem interessante conferir os questionamentos da autora através da trama. Adorei sua resenha!
    Beijos

  5. LUISA

    27 de dezembro de 2021

    Adorei a resenha! Eu não sei exatamente o motivo, mas eu sempre tenho a impressão de que o livro nos traz mais emoções do que o filme sabe? Provavelmente ocorre porque deixamos nossa imaginação solta e nos conectamos com a história. Gostei de saber que tem na netflix o filme, vou procurar para ver.

  6. Caroline Silva

    26 de dezembro de 2021

    Obrigada Editora Record 🙂 também não tenho filhos, bom saber que tem o filme, vou ver no netflix pra conhecer melhor a história!

  7. renir fonseca

    26 de dezembro de 2021

    Amei a resenha, o tema é muito importante otimo que esse assunto foi abordado, fiquei curiosa.

  8. Open Kloset By Karina

    23 de dezembro de 2021

    Olá Erika, adorei a sua resenha, estou muito curiosa 🙂
    Muito Obrigada!
    Boas Festas
    Bjs Karina

  9. Lucimar da Silva Moreira

    22 de dezembro de 2021

    É uma obra encantadora, o livro aborda um tema importante, gostei muito da capa, a sua resenha deixou-me curiosa pelo livro e filme bjs.